A oração e vida espiritual ativa têm seus benefícios reconhecidos até pela ciência

Alguns desses estudos foram desenvolvidos em universidades de prestígio, e os resultados parecem não deixar margem a dúvidas. Pierluigi Zucchi, diretor do Instituto para a Terapia da Dor, da Universidade de Florença, Itália, é um dos que estão convencidos de que a oração não apenas elevam sensivelmente os limites de resistência à dor, mas também incrementam a eficácia dos tratamentos com remédios. Uma das experiências de Pierluigi Zucchi consistiu em proporcionar sessões de leitura e meditação sobre trechos do Evangelho de São João a grupos de enfermos, desconhecendo-se as convicções religiosas de cada um deles. O estudo revelou, já de início, que o limite de resistência à dor entre os que tinham fé era muito mais elevado. Provavelmente, observou Zucchi, graças à prece e à meditação, nosso cérebro aumenta a produção de algumas substâncias analgésicas, chamadas endorfinas.

Segundo a neurociência, nossas emoções influem diretamente sobre o funcionamento da hipófise e de todas as demais glândulas do organismo que produzem hormônios, endorfinas, adrenalina, acetilcolina, etc. Emoções alegres e positivas melhoram esse funcionamento; emoções pesadas, tristes e negativas podem comprometê-lo seriamente. Quando uma pessoa está doente, quase sempre cai em depressão. Isso afeta a sua endocrinologia e o seu sistema imunológico. Quando, através da oração, o doente cria uma expectativa positiva, desperta a sua esperança na cura, isso aumenta a sua imunologia e colabora para regularizar o seu sistema hormonal. A medicina conhece muitos casos notáveis de regressão de tumores e de remissão de outras doenças através desses processos”.

Outros estudos apontam para as mesmas conclusões. Uma pesquisa feita com cinco mil indivíduos, na Universidade da Califórnia, em Berkeley, sustenta que aqueles que vão à igreja uma ou mais vezes por semana têm índices de mortalidade de 25-35% mais baixos do que os que não vão à igreja.

Em Los Angeles, o Veterans Affairs Medical Center, uma das entidades governamentais norte-americanas mais importantes no campo da investigação clínica, desenvolve um programa de pesquisa sobre as variações da atividade cerebral humana durante a oração. Esse programa faz uso da sofisticada tecnologia da ressonância magnética e do eletroencefalograma, entre outros recursos. Ao mesmo tempo, quase uma centena de cientistas se reuniu na Virgínia para debater os efeitos da espiritualidade nas doenças orgânicas. Nesse encontro foi apresentado um trabalho desenvolvido pela Darthmouth Medical School, relacionado a pessoas operadas do coração, o qual demonstrava que a porcentagem de cura dos pacientes que se declararam muito crentes era três vezes superior à dos que alegaram não ter nenhum interesse em vida religiosa.

Por seu lado, o Instituto Nacional para o Estudo do Envelhecimento, nos Estados Unidos, revelou que, sobre uma amostragem de 4 mil idosos da Carolina do Norte, a depressão e as enfermidades físicas afetam muito menos a quem professa uma fé religiosa. Observou-se que a pressão arterial média das pessoas que frequentam igrejas é mais baixa do que a daquelas que não frequentam.

Todos esses dados parecem confirmar que a oração e a espiritualidade como ajuda nos tratamentos constitui uma realidade difícil de ser refutada. Essa convicção cresceu a tal ponto que já supera as barreiras de desconfiança que rodeiam as clínicas e hospitais. Motivo pelo qual o comportamento aparentemente incomum daquele geriatra a rezar o Pai Nosso já não deve causar muito espanto. Segundo uma recente investigação da Academia dos Médicos de Família Americanos, para 99% dos sócios a fé ajuda a curar, e 80% deles considera que a oração e a meditação bíblica deveriam ser incluídos na formação das novas gerações de médicos. “Os pacientes que têm convicções negativas a respeito da sua própria doença nunca melhoram tanto quanto aqueles que não perdem a fé e a esperança”, conclui um relatório dessa Academia.

Curiosamente, os estudos sobre reações neuroquímicas relacionadas ao stress foram os que melhor revelaram o que acontece no organismo quando se junta a oração e a meditação aos remédios. Herbert Benson, professor da Escola de Medicina de Harvard, investiga o tema há mais de vinte anos. Ao estudar o metabolismo, as batidas do coração e as ondas cerebrais de um grupo de jovens que praticava formas de oração, Benson descobriu que havia diferenças sensíveis quando a pessoa se encontrava em repouso ou quando estava em plena atividade meditativa. Nesta última condição, os parâmetros químicos do metabolismo diminuíam até 17%, o ritmo respiratório baixava 20%, e também baixava a frequência das ondas cerebrais.